[livro x filme] um dia.

faz um tempo que eu não posto por aqui sobre um bom livro, não é mesmo?

então decidi não só postar sobre uma obra que eu gostei muito, como também fazer uma comparação entre ela e o filme inspirado pela mesma.
um dia é um livro inspirador. mas, infelizmente, conheci a estória depois de tomar conhecimento sobre quais atores representariam seus personagens principais nas telas de cinema. resultado? criei expectativas e, como de costume, expectativas tendem a gerar decepções.
mas vamos por partes.

um dia
livro.
eu não li o livro, o devorei em poucos dias com aquela fome de querer conhecer mais a fundo aqueles personagens tão cheios de vida (e vida vintage!, o que me encanta). cada folha, cada capítulo me instigava mais e mais e o livro se tornava totalmente insatisfatório – tendo em vista que eu não conseguia me satisfazer com 10 ou 15 folhas deles por dia. me alegrei com os personagens, cansei com eles também. me decepcionei e me entusiasmei a cada dia em que o belo casal se afastava ou se aproximava ainda mais. a parte épica do livro, obviamente, não vou destrinchar aqui, mas foi excepcional a forma como o autor conseguiu desencadear o restante (e não final, pois a ideia de continuidade é permanente) da estória de forma tão bonita e encantadora. conclusão? sim, o amor existe! e ele não falha.
filme.
já comecei a assistir o filme com um preconceito sobre ele, mas um preconceito bom, afinal sabia que o roteiro tinha sido adaptado pelo david nicholls – próprio autor do livro. também já conhecia o brilhante trabalho do jim sturgess em across the universe, 21 e crossing over e, claro, anne hathaway em o diário de uma princesa 1 e (dentre tantos outros). não esperei sair no cinema, não esperei para fazer download. vi na banquinha da esquina e comprei mesmo. comecei a assistir com tamanha empolgação e… de repente senti falta de trechos tão bonitos, que, para mim, seriam até importantes no desenrolar da estória. mas, enfim… nem tudo é como queremos. ouvi pessoas – que não haviam lido o livro – contarem que o filme era muito bom. e que, vejam só, a cena da parte épica do livro fora chocante! mas, sinceramente, não gostei do resultado. até voltei a assistir o filme para dar uma segunda chance.
continuei com a impressão de que o filme é bonzinho, mas o livro… excepcional!

[livro] a borra do café – mário benedetti

engraçado como, em 1992, o uruguaio mário benedetti conseguiu escrever um livro num contexto histórico entre as duas grandes guerras mundiais que se aplica tão bem aos dias atuais.

comprei o livro simplesmente pelo seguinte trecho que está escrito em sua orelha:

“a borra do café transmite otimismo, é cálido e intranscedente. é um livro nada complicado, nada rebuscado, nada pretencioso. é, enfim, um desses que se tem que ler, não por nada, mas apenas porque sim, o que não é pouco”.

comecei a ler se muita pretensão e confesso que com um pouco de preguiça.

mas a cada página, a cada capítulo, a envolvente história do personagem cláudio foi me ganhando e afirmo que se você quiser aprender diferentes lições sobre a vida em seus mais complexos contextos, você deve ler a borra do café,  um baita mix de romance, erotismo, mistério, realidade, reflexão e simplicidade.

e se você gosta de ler ouvindo música, assim como eu. a dica aqui é o bom e velho james taylor.

[livro] eu sou o mensageiro – markus zusak

imagine que você é um perfeito exemplo de fracasso, nada na sua vida sai do marasmo, sua rotina é parada e você não cogita de modo algum mudar isso tudo. talvez você nem precise imaginar, talvez você seja assim mesmo… é disso que “eu sou o mensageiro” trata.

confesso que comprei o livro por ter gostado muito da narrativa que o zusak usa em “a menina que roubava livros“, mas “eu sou o mensageiro” não me encantou tanto quanto o outro.

como eu estava falando, o protagonista (e narrador) do livro é um tremendo fracassado até que certo dia ele impede um assalto e sua vida muda completamente. ele começa a receber cartas de baralho com mensagens que ele tem que desvendar e resolver.

ouros, paus, espadas, copas e o curinga!

não entrarei em detalhes para não estragar o apetite de quem ainda irá devorá-lo, mas deixarei aqui minhas conclusões sobre a leitura que fiz.

o que o livro me deixou foi: nós não conhecemos as pessoas ao nosso redor, nós não conhecemos a parte mais profunda de nossos amigos, nós não sabemos (nem) sobre nós mesmos. ou, quem sabe, nós temos o controle de nossas vidas mas, simplesmente, não sabemos como usá-lo.

a mensagem principal de “eu sou o mensageiro” é mostrar que cada um de nós temos um papel a fazer, que nós marcamos a vida de qualquer um que passe por nossa vida (assim como esse ‘qualquer um’ marcará a nossa).

às vezes pro bem, às vezes pro mal.

parece meio auto-ajuda, não? foi o que senti ao terminar de ler. um livro de auto-ajuda com uma pitada de suspense, ação e comédia, talvez.

confesso que cansei da leitura por diversas vezes e, por diversas vezes, me envolvi com o livro.

se você gosta de uma leitura simples e/ou quer conhecer melhor a escrita do autor do best-seller a menina que roubava livros“. ok, eu recomendo. mas aviso que, de longe, esse não é o melhor livro que já li.

[livro] medo e delírio em las vegas – hunter s. thompson

falei que começaria a comentar livros aqui no musiquecine. na verdade, ultimamente eu tenho lido mais do que assistido a filmes. não custa nada repassar o que achei para você que acompanha o blog ou tava perdido e acabou se achando aqui.

bem, vou abrir essa categoria falando sobre um dos livros mais loucos que já li na minha vida. uma overdose a cada capítulo, foi isso que senti ao ler “medo e delírio em las vegas” do pai do jornalismo gonzo, hunter s. thompson.

o livro é basicamente a narrativa de uma viagem que thompson fez a las vegas em busca do sonho americano para uma matéria da rolling stones, a viagem acaba se estendendo por mais alguns dias já que surge a proposta dele cobrir outro evento.

o que me chama mais atenção é a quantidade de detalhes expostos nas páginas do livro, é como se eu fosse desenhando o mapa de las vegas na minha cabeça, desenhando os cenários, flamingo, circus-circus, paradise

outra coisa que parece ser indescritível mas o papa gonzo faz nesse livro é narrar os efeitos causados pelas mais perigosas drogas já conhecidas por humanos até a década de 70 (época onde se passa a narrativa). e o que são essas ilustrações? completamente estranhas mas que se conectam tão bem ao texto!

em suma, o livro é sensacional! uma completa viagem, em todos os sentidos que você conseguir imaginar dessa palavra. ainda não vi o filme, nem sei se quero ver… acho que o livro já me passou bem a idéia! quanto ao sonho americano, eu não achei! mas que o jornalismo gonzo ganhou uma nova adepta, isso ganhou!